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Misfits is Heaven

11 set

Curtis, Alisha, Nathan, Kelly e Simon

Eu sou doida por seriados. Se eu fosse me inscrever em algum clube de auto ajuda, certamente me apresentaria mais ou menos assim “Oi, eu sou a maria, tenho 19 anos e sou viciada em seriados”. Meu novo vício se chama Misfits, uma série britânica do canal E4 (o mesmo responsável por skins, outra série polêmica e muito boa). Foi uma surpresa quando eu baixei o primeiro episódio, eu já imaginava que seria algo legal justamente por ser uma série britânica, mas eu não esperava que fosse ser tão algo diferente.

A história se passa numa cidadezinha da Inglaterra, e é protagonizada por cinco jovens delinquentes (sim, delinquentes vestindo macacões laranjas!) que estão no seu primeiro dia de serviço comunitário. Uma tempestade cai sobre a cidade e um raio atinge os cinco garotos e seu supervisor. E é ai que, em uma sátira cómica, ácida e totalmente despudorada do seriado Heroes, Misfits inicia seus seis episódios da primeira temporada.

Repleto de humor negro, críticas à sociedade, sexo, álcool, assassinatos e viagens ao tempo, é impossível desprender a atenção, e a vontade de assistir os seis episódios logo de uma vez vai se tornando cada vez maior. Logo depois de ser atingido pelo raio, o supervisor do serviço comunitário enlouquece e entra em um surto de bipolaridade, mata um sexto jovem que não foi atingido pela tempestade (por que estava no banheiro fumando maconha) e sai correndo atrás dos outros com um pedaço de ferro na mão, how cool is that?

Se Alisha for tocada por Curtis, ele perde o controle sobre suas ações

Ao final desse primeiro episódio já imaginamos o que nos espera na série, mas não podemos nem ter noção da magnitude dos próximos episódios. Um garoto inseguro e meio esquizofrênico ganha o poder de ficar invisível – Simon; uma adolescente ligeiramente pirigueti oferecida devassa vira um tipo de ímã sexual, e todos aqueles que encostam nela sentem um desejo incontrolável de fazer coisas proibidas por lei com ela na cama – Alisha; Uma doida com um sotaque engraçado (que aqui no Brasil nos lembraria aquelas meninas de calça caindo, sutiã aparecendo e boné aba reta) consegue ler mentes, inclusive a do seu cachorro a chamando de vadia – Kelly; Um ex corredor, preso por porte e cocaína, recebe o dom de voltar ao tempo – Curtis; E Nathan, um inconsequente, carente, pervertido e marginal passa toda a temporada tentando descobrir o seu poder, mas a surpresa só aparece no final do último episódio, e eu digo que valeu a pena esperar. Nenhum dos cinco sabe como usar os seus poderes, eles não tem controle nenhum e aos poucos vão descobrindo como lidar com isso.

Os episódios seguem em um ritmo intenso, inicialmente os personagens são apresentados de forma estereotipada e demoramos a nos envolver com cada um, mas a partir do terceiro episódio já entendemos a maioria deles. A construção da narrativa é envolvente e, apesar dos acontecimentos nos parecerem meio surreais (afinal, nós moramos no Brasil e não temos ideia de como é a vida de um adolescente inglês) somos convencidos de que toda a loucura é realmente possível e mergulhamos no universo dos persongens.

A trilha sonora é algo a parte, eu acho que os produtores britânicos escondem os melhores profissionais responsáveis por soundtracks lá na ilha deles, e não compartilham com o resto dos seriados ao redor do mundo. Diferente e chocante como o seriado, as músicas realmente fazem parte do contexto da história, a minha preferida foi Kleerup ft. Lykke Li – Until We Bleed, mas a trilha vai de Joy Division à Damien Rice, The Rapture à Adele, LCD Soundsystem à Lady Gaga, e todas tem o seu objetivo alcançado, conseguem fazer com que a gente se envolva ainda mais na trama.

Eu fui conquistada pela atuação do elenco, pelas cenas cômicas e pelo humor dramático britânico que sempre me convence. Os cinco heróis delinquentes lutam contra um exército de zombies que pregam o bem e o extremismo, lutam contra problemas pessoais e dramas internos, conhecem outros personagens interessantíssimos na cidade que também mudaram depois da tempestade, inclusive uma menina que tem o poder de deixar ex namorados carecas, e uma jovem que na verdade não é tão jovem assim…

Nathan fantasiado de “bom samaritano” para lutar contra o exército de zombies

Cada acontecimento, seja ele engraçado ou triste, serve para construir a personalidade de cada um dos protagonistas, e quando chegamos ao clímax do sexto episódio, já estamos totalmente entregues a essa história e morrendo de vontade de enlouquecer mais um pouco com a próxima temporada. Lembrando que, na minha concepção, Misfits é uma crítica à sociedade do começo ao fim, claro que em vários momentos é despretensiosa, mas é essa mistura que torna Misfits um seriado tão bom. Pena que, como tudo o que é bom, Misfits é uma daquelas séries com poucos episódios e com uma longa espera entre uma temporada e outra.

Ninguém sabe ao certo quando começa a segunda, mas há rumores que vai ser em meados do dia 12 de novembro, na mesma época da sua estreia em 2009. A série foi eleita a melhor série dramática de 2009/2010 pela British Academy of Film and Television Arts (Bafta), premiação considerada o “Emmy” dos Ingleses.

Para baixar os episódios da primeira temporada basta participar da comunidade oficial da série, ou entrar nesse site aqui.

Promo maravilhosa do seriado

Abertura ao som de The Rapture – Echoes

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